NEXO - PARTE 3 (INCOMPLETO)
i. Pendurados
É
sabido que o universo não tem orientação, pode estar de pé, de ponta-cabeça,
deitado e todos esses termos são tão certo quando errados, o mesmo se aplica
aos astros separadamente ou em grupo, um grupo de estrejas que forme a
constelação de caranguejo em um planeta, pode forma a de touro em outro, ao
invés de garras pra baixo os chifres vão pra cima na perspectiva de cada
planeta, imaginando que existem animais ao menos parecidos com esses espalhados
pelos planetas.
A única referência real que temos de localização
é a gravidade, uma vez em um planeta, a gravidade torna possível que algo
esteja em pé ou de ponta-cabeça, deitado, na horizontal, na vertical.
Logo, se você deseja pendurar alguém de
ponta-cabeça, amarrando-lhe pelos pés, se sua nave for pouco espaçosa e fizer
realmente questão de fazer isso, terá que ir até algum planeta.
A Dispersadora pegou seu recém-escravo e
voltou para seu transporte, o mantendo amarrado com nós apenas pela humilhação,
pois ainda que ele tivesse coragem, não conseguiria opor resistência a ela.
“Posso perguntar onde vamos?”, ele
perguntou.
“Pode”, ela respondeu.
“Onde vamos?”, ele perguntou.
“Cala boca”, ela respondeu.
O resto da viagem foi em silêncio e faz
parte daquele guia “onze melhores lugares para pendurar seus inimigos”, ela
escolheu o segundo melhor planeta, pois a criatura não merecia o melhor, além
disso, as correntes e travas disponíveis nesse destino eram mais adequadas para
prender tentáculos.
“Qual é o nome desse planeta?”, perguntou
Rlyeh. Todos concordaram em suprimir a numeração do seu nome, a pedido da
mesma, que usava a numeração nos jogos apenas porque já existiam jogadores mais
antigos com o mesmo nome.
“Basalto”, respondeu Fabian.
“O mineral?”
“Não, o deus que governa esse planeta.”
“Eles são religiosos, então.”
“Não, Basalto governa esse planeta a
milhares de anos, é um deus.”
“Aaah...”
Talvez o leitor estranhe a cena, ou talvez
eu tenha esquecido de comentar, Fabian vinha de ponta cabeça, com luvas de peso
nas mãos, pois contraíra a febre antigravidade, o que quer dizer que a
gravidade estava exercendo o efeito contrário nele, doença grave essa, que leva
os acometidos para o espaço, para morrerem com frio e sem ar, por isso o peso.
“O tratamento é simples”, ele explicou,
ainda na nave, para sua atual companheira de viagem, “devo me pendurar de
ponta-cabeça em algum planeta com uma boa gravidade, o que quer dizer, nesse
momento, que devo me pendurar com a cabeça para cima da perspectiva do ponto de
gravidade do planeta.”
“Aaaah...”, ela disse na ocasião,
aparentemente ele acordara com aquilo, mas jurou que uns dias atrás já sentira
o dedo mindinho estranho.
“O problema, é que o melhor lugar para
fazer isso é muito caro, terei que ir no segundo melhor planeta para pendurar
seus inimigos.”
“Não sei o que dizer, pode ser sério isso.”
“A doença é meu inimigo, de qualquer forma
é só um nome, por vários motivos uma pessoas pode pendurar outra ou a si mesma,
você vai gostar, o céu tem vários tons de vermelho e o presidente deles é
legal.”
O que nos leva à chegada deles no planeta.
“Não era um presidente?”, perguntou Rlyeh.
“Tem um presidente, ele é legal, eu já
disse, mas legal mesmo é deus.”
Foram orientados por um funcionário das
docas espaciais a pegarem um transporte
que os levaria a uma série de cânyons que eram o que buscava o mágico como
tratamento para a doença.
“Não posso me pendurar muito alto, a
gravidade tem que estar forte, será mais rápido.”
“Ros e Yuri ficarão preocupados”, ela
disse.
“Eles ficarão entediados nos esperando,
estarão bem.”
Vieram numa nave de aluguel, paga pela
Dispersadora antes dela se separar do grupo, viajariam separados até a estação
dos federados.
Yuri e Ros estavam tão entediados quanto
prisioneiros não torturados podem se sentir.
Nem a comida aliviava o tédio, sempre um
mingau nutritivo e sem gosto.
As celas separadas, a prova de sons e de
paredes foscas.
Ninguém lhes dava informações de qualquer
tipo.
Aguardavam correr a enorme burocracia para
que os primeiros interrogatórios fossem autorizados, mas os burocratas
responsáveis ainda não tinham chegado neles.
Logo sentiriam falta desses tempos.
Em
comunicação interecptada, o Guerreiro de Nordateia Kraionte isolou ordens que
se espalhavam para caçar uma federada que atendia por Ros e viajava numa Nexo
com a parte externa avariada.
Deveria
ser capturada viva, a recompensa seria o direito pelo planeta J9901847H7HYS, nesse caso o direito de
ocupá-lo, fazendo o que julgasse conveniente com seus atuais ocupantes.
Ela deveria ser interceptada antes de
atingir a estação 12120-000.
“Vamos nos separar”, decidiu o Guerreiro de
Nordateia Kraionte, por todos. “Um de nós, ou mais, chegará à estação e os
federados poderão intervir na situação.”
Concordaram, era um plano lógico.
Rlyeh666 e Fabian pegariam uma nave alugada
pela Dispersadora. Levariam meowwwoem com eles.
Yuri e Ros ficariam com a Nexo, não era uma
nave que se abandona, ela não a abandonaria por motivo nenhum e apenas a
federada era capaz de pilotar sozinha, se necessário.
O Guerreiro de Nordateia Kraionte desceria
no planeta com atmosfera mínima mais próximo (“inabitado, que seja,
irrelevante”) e de lá iria para a estação.
A Dispesadora...
“Estou voltando para minha nave, adeus por
enquanto”, partiu levando seu prisioneiro.
Na
calmaria das pradarias sem vida de um planeta sem nome o Guerreiro de Nordateia
Kraionte refletia:
O
sinal foram dado por causa do sequestro, qua afinal aconteceu, de alguma forma
o ser de tentáculos alertara os seus.
Agora
não era negociável, ninguém ligava se ele estava morto ou vivo, mas a federada
seria caçada, presa, julgada e condenada.
Ele
não gostava da ideia.
Gostava
de estabilidade, nos planetas e no universo como um todo.
Era
também uma oportunidade de mostrar-se determinantemente necessário para a
criatura que o salvara nos primeiros capítulos.
Agora
estava na hora de atrair um transporte incauto e tomar seu caminho.
“A
Hakumas oferece apenas o melhor, até para seus inimigos!”, disse o chefe de
segurança, uma forma de fina fina e baixa, mas com um tom de voz assustador e
olhos ameaçadores.
Levaram
os prisioneiros para o topo do vulcão, não exatamente dormente, a lava
borbulhava num som grave e oco e só a proximidade com a cratera já tornava o
calor perto do insuportável, mas a roupa dos
seguranças e funcionários e local eram ventiladas e apenas os
prisioneiros estavam em condições de reclamar do calor, se estivessem em
condições de reclamar de qualquer coisa.
Levados até uma plataforma, foram bem
presos com as mãos nas costas, uma vez erguidos das correntes, “um clássico”,
disse o chefe de segurança sorrindo pela primeira e última vez nessa narrativa,
ergueram os dois, um de costa para o outro e através de um sistema de roldanas
que parecia que poderia romper com aquele calor, foram levados pelo alto até o
centro da cratera, onde foram deixados por tempo indeterminado.
Foi
tempo suficiente para o Guerreiro de Nordateia Kraionte encontrar carona,
emitiu um fraco sinal com um rádio feito de pequenas sucatas que levava em seus
vários bolsos militares.
Uma
nave de luxo, alto padrão, desceu, a intenção do guerreiro era pedir carona e,
se negada, consegui-lá à força.
O que não esperava era um grupo de jovens
boêmios e muito ricos aproveitando festas e bares pelas galáxias, eram seis
deles, três macho e três fêmeas, mesmo o Guerreiro de Nordateia Kraionte teve
dificuldade de diferenciar cada um desses burgueses espaciais no rápido diálogo
que se seguiu.
“Pô cara! Vamos te levar, é claro.”
“A nave tá cheia, como vamos levar ele.”
“Acho que ele cabe na carga, se apertar.”
“Se tirarmos os vasos.”
“Aí minha mãe me mata.”
“Vai pra onde?”
“Qualquer planeta habitado”, disse o
Guerreiro de Nordateia Kraionte.
“Então é caminho, que bom.”
“Tem um cabo de resistência na nave.”
“O que você está sugerindo?”
“Tem um capacete também, o cara aguenta.”
“Ficar exposto no espaço, pendurado por um
cabo?”, perguntou o Guerreiro de Nordateia Kraionte.
“É tipo um esporte radical.”
“Aguento”, respondeu o orgulhoso guerreiro.
Alguns minutos depois, viajava pendurado, amarrado
pelo tronco, ligeiramente incomodado com uma coceira nas costas.
ii. Conclusão do
Capítulo Anterior
Pois bem, não teve jeito, é o que podemos
afirmar, não surpreende de um capítulo onde vários personagens terminam
pendurados, seria muito estranho se para todos eles desse certo.
Deu certo para Fabian, que ficou curado,
mas sua doença é contagiosa, ele tem certeza que os da espécie de Rlyeh são
imunes, ela torce para que não, gostaria de experimentar a sensação de ser
puxada para cima como se estivesse sendo abduzida, como se já não fosse mais ou
menos isso a sua vida, esse negócio de ficar pendurado deu certo para ela
também, ela foi poupada desse desconforto, mas Fabian pagou um lanche para ela,
não fazia ideia dos ingredientes e achou que perguntar não era boa ideia,
apenas aproveitou, a bebida era gasosa e de um gosto que se aproximava de um
refrigerante de feijão, muito gostosa também.
Deu certo para o Guerreiro de Nordateia
Kraionte, o guerreiro sem nome, como diriam muitas espécies derrotadas pelos da
sua espécie, ele desembarcou em um planeta habitada, conseguiu um emprego de
garçom e trabalhou até juntar créditos para pegar um táxi para a estação dos
federados.
Deu certo para a dispersadora, que matou a
vontade de pendurar o traidor medroso, mas se entediou rápido, fazendo dar
certo para Drogu, solto precocemente e levado para o transporteda dispersadora,
partiram rapidamente para a estação dos federados, ela pensando que estava mais
prisioneira dele do que o contrário.
De certo para Yuri, que foi dispensado
pelos paramilitares da Hakumas, devolvido à Nexo e encaminhado em modo
automático para a estação dos federados, com um recado gravado de que estavam
em posse de uma federada procurada e ela seria julgada, deu certo para
meowwwoem, que estava na nave e em segurança, como bom gato de ancoragem nos
prendendo a alguma coisa nessa narrativa (obrigado gatinho!).
Não deu certo para Ros, nossa federada,
outras vezes chamada aforme, presa em custódia, pendurada até o seu julgamento,
acusada de abandono de posto de trabalho, um dos crimes mais brutais que alguma
criatura pode cometer.
iii. Das Partes
Em Um Tribunal Trabalhista Multissetorial
Lembrarei, mas é óbvio, que questões
trabalhistas ocorridas fora da atmosfera de qualquer planeta, são resolvidas
pelo (temível, mas isso é uma opinião minha) Tribunal Trabalhista
Multissetorial.
Suponhamos que um trabalhador de um planeta
artificial abandone seu posto de trabalho e saio viajando pelo espaço, tendo
como agravante o roubo de uma unidade KLX, isso será resolvido pelo Tribunal
Trabalhista Multissetorial.
O negócio é tão sério que eles não se
intimidam e podem julgar qualquer espécie, por exemplo, os federados, que
apesar de chamados de aformes no privado, publicamente são chamados de federados.
Ros foi cair nas garras de um tribunal
desse, nas garras, tentáculos, o que for, só não se desesperou porque julgou
sua prisão certa.
Por prisão entenda trabalhos forçados.
Os viajantes encontraram na estação
12120-000, menos a operadora original da Nexo, os federados souberam da
questão, mas não iriam tratar com outros, concordaram, contudo, em deixar a
Nexo temporariamente em posse de Fabian, considerando a necessidade e a amizade
dele com a federada enclausurada.
“O que devemos fazer, arrumar um
advogado?”, perguntou Yuri.
“Sequestra-lá, é óbvio”, sugeriu o
Guerreiro de Nordateia Kraionte.
“Não adiantaria, ela teria que fugir
constantemente”, disse Fabian.
“Ela pode alegar que endoidou”, disse
Rlyeh.
“Argumento inválido nesse tribunal”, explicou
Fabian.
“meow”, disse meowwwoem.
“A dispersadora poderia dar o seu
testemunho, enfraqueceria a tese da acusação”, disse o Guerreiro de Nordateia
Kraionte.
“Duvido um pouco que ela apareça”, disse
Fabian, “duvido mais que ela concordasse em testemunhar”, concluiu.
“E advogados?”, insistiu Yuri.
“Advogados bons são raros e indisponíveis”,
explicou Fabian.
“Qualquer um pode defender um acusado”,
disse o Guerreiro de Nordateia Kraionte.
“Apesar dos conhecimentos, que você com
certeza tem, sua espécie não é bem vista”, disse Fabian.
“Faça uns truques ruins”, sugeriu Rlyeh.
“Eu acho ótima ideia, o juiz não deve ter o
mesmo senso de humor”, disse Fabian.
“Nós estamos nos encaminhando para aquelas
conversas onde nada se resolve” ,disse Rlyeh.
“Deixe os aliens se resolverem, nós somos
pobres organismos secundários”, Yuri disse para ela.
“Reafirmo a ideia do sequestro”, disse o
Guerreiro de Nordateia Kraionte.
“Alguém de dentro seria útil, se ao menos a
dispersadora não tivesse se livrado daquele executivo... qual era o nome
dele?”, tentou se lembrar Fabian.
“Brogu!”, disse Yuri.
“Não era isso”, estranhou Rlyeh.
“Vamos discutir apenas cenários possíveis”,
disse o Guerreiro de Nordateia Kraionte.
E eles discutiram por mais três horas, sem
chegar a lugar algum.
Os federados discutiram, não muito e
chegaram à conclusão que não poderiam fornecer nada mais do que precisas
informações acerca do que conheciam dos fatos, não seria criminalmente
implicador para a julgada, caso contrário se esquivariam da questão.
A dispersadora fez algo inédito.
Se não conseguia matar aquele alienígena
incômodo e traiçoeiro, poderia enlouquece-lo.
Se desse errado, ele teria alcançado um
grau de esclarimento bastante incomum naquele universo, o que iria deixá-lo um
pouco louco também.
FIMFIMFIM. Um
Pouco de Passado, Nada de Futuro
Antes de assim serem chamados, os
dispersadores cresceram discretos em seu planeta, donos de uma singular
habilidade de transportar algo ou alguém pelo espaço de forma imediata para qualquer
ponto do universos, inclusive eles próprios, não desenvolveram muitas
tecnologias, levando de outros planetas para o planeta natal, como ratos do
espaço.
A memória não é inexorável, tudo se esquece
um dia e os dispersadores temem acima de tudo o tempo em que será esquecido por
todos suas origens.
Criaturas do universo, criaturas de um
universo.
O tempo em que tinham um chão para pisar e
estrelas para olhar.
Depois houve um conflito entre eles, vários
conflitos, como existem entre seres da mesma espécie, não existe dispersador
vivo que faça questão de lembrar os motivos ou a cronologia dos fatos que
levaram à divisão.
O conflito entre eles espalhou-se e o que,
de início, ocorria no planeta natal, espalhou-se em velocidade exponencial,
dispersavam tudo para afetar as operações inimigas, armas, satélites, planetas
inteiros... não há nada que não possa ser dispersado, até estrelas.
A guerra entre dispersadores passaram a ser
disputadas assim, os astros maiores tornaram-se suas armas principais.
Apenas a destruição total do inimigo daria
fim à guerra.
A memória não é inexorável, mas é
resistente, sua deterioração é lenta e demora muito tempo para ser total.
A destruição total do inimigo sempre
parecia próxima.
Estrela contra estrela, o número é grande,
difícil de pensar em termos práticos, mas não é infinito.
A munição estava acabando, uma guerra
requer meios práticos de matar. Restavam apenas duas estrelas, para um último
embate.
Um grupo assumiu as posições para dispersar
uma das estrelas nos inimigos, quase a última no espaço vazio.
O outro grupo assumiu as posições para
dispersar a outra estrela, coisa que sabiam que nunca fariam, pois era a
estrela no centro do sistema do planeta mãe.
O primeiro grupo temeu que usassem a
estrela do sistema natal e por muito tempo ambos os grupos esperaram sem saber
o que fazer.
Um esperando a certeza que não teriam de
que o outro não sacrificaria o próprio planeta, o outro esperando em ameaça, na
verdade serem destruídos.
No silêncio do universo quase vazio,
desistiram aos poucos.
Reuniram-se no planeta natal, o único ainda
habitável.
Os dispersadores estavam definhando, eram
poucos e agora reunidos procuravam conhecidos sem encontrá-los, num planeta sem
nada a defender.
Selaram o esquecimento.
Baniram os motivos.
Cada um buscaria seu caminho na busca pela
subsistência.
Alguns se dispersaram tão longe que
descobriram um novo universo e uma vez estabelecido o caminho, passaram a
trabalhar nesse universo.
Um universo com estrelas, com muita vida e
muitos conflitos, na qual sua habilidade de dispersar coisas poderiam ser
contratadas por razões frívolas.
Inevitavelmente retornam ao planeta,
imaginando quanto tempo sua estrela vai brilhar, a outra estrela parece cada
vez mais vibrante, já não há nada, a maioria se evita e descansam em locais
distantes uns dos outros naquele planeta, não são muitos de qualquer forma.
Outrora moldadores, não há mais ninguém
para chamá-los dessa forma no universo de origem, para onde foram são chamados
de dispersadores e assim se autodenominam em um orgulho autopunitivo.
iii. Até Onde
Dura a Determinação de Um Alienígena Executivo Medroso
Não é adequado a quem escreve uma narrativa
rotular seus personagens, limita assim a imaginação dos leitores e reduz o
personagem a algo pouco mais do que uma pedra.
Mas é verdade que Drogu era um alienígena
(do ponto de vista de todas as outras espécies) executivo (posto oficial)
medroso (característica psicológica mais evidente).
Esse capítulo ressalta tudo isso.
Pendurado por alguns minutos, ele não
aguentava mais, podemos amenizar para o que dirão sobre ele e dizer que seus
tentáculos coçavam loucamente, ele gritou e gritou para sua captora, que o
pendurara, que tinha informações úteis para ela, ela o puxou de volta.
Só então ele parou de gritar e vomitou no
chão distante.
É certo que ela estava entediada, não era
tão satisfatório assim e não tinha nada o que fazer depois de deixá-lo
pendurado, apenas matá-lo, mas não o faria.
Quando ele chegou perto, mas não muito, ela
disse “fale”, ele falou:
“Existe uma ordem para eliminar todos os
dispersadores dada por múltiplos governos e organizações seres de todos os
tipos por trás disso inclusive da minha espécie para ser executada a qualquer
momento aguardar janelas de oportunidade diversos mercenários foram convidados
e os mais bem treinados militares contratados para a tarefa inclusive os
formidáveis guerreiros de Nordateia Kraionte que não costumam aceitar trabalhos
desse tipo mas foram atraídos pelo desafio e pela oportunidade de conquistarem
o rico planeta de origem da sua espécie inclusive seu colega se for convocado
para tal será obrigado a cumprir a tarefa pois não hesitam esses guerreiros pra
quem a honra e lealdade é mais do que tudo...”
“Cala. Eu entendi. Isso é verdade mesmo?”
“Sim eu juro te conto agora te contaria de
qualquer forma devo isso pra você.”
A dispersadora rasgou um pedaço da roupa de
Drogu e o amordaçou, o empurrou até o precipício novamente e dessa vez não
ficou entediada em vê-lo se retorcer.
v. Um Professor de
História
Assim pensou o Guerreiro de Nordateia
Kraionte, na estação 12120-000, aguardando a chegada dos seus companheiros:
“trezentos e cinquenta ciclos de treinamento, dedicação total à guerra e às
várias formas de matar necessárias numa guerra, mil trezentos e oitenta e sete
volumes lidos, sem contar os documentos oficiais, foram trinta e um idiomas
aprendidos de espécies não catalogadas pelos programas, uma taxa de noventa por
cento de precisão com armas de fogo de longo alcance, sei matar com um pedaço
de pau em um único golpe de treze maneiras diferentes uma espécie que possua
quatro membros e uma cabeça, posso sequestrar qualquer um no meio de uma
multidão sem ser notado fazendo tal coisa, escapei de todas as quarento e três
perseguições e minha nave quebrou uma única vez, talvez eu devesse ter morrido
no espaço vazio e gelado, meu orgulho não me permitiu perecer só, devo viver e
triunfar novamente, Nordateia Kraionte precisa de mim e só vou ser digno se for
um bom soldado, nascemos para a guerra, em todas suas formas e funções, contra
todas as espécies somos capaz de triunfar, uma única vez fui pego totalmente
desprevenido e me mandaram para longe, poderei me vingar, ou terei que me
vingar, quantos de nós desistiram e adotaram um nome, envergonhando-se perante
Nordoteia Kraionte, quantos de nós decidiram por conta própria, escarrando na
cara do império que os criou, como quem derruba um prato cheio de comida, como
um primitivo a mijar na própria cama, a oposição interna nos fortalece, se
rebelaram poucos perto dos milhões que erguem-se por Nordateia Kraionte e matam
por Nordateia Kraionte, continuo no caminho que me foi dado, que eu diga para
os meus que uma das cabeças amarelas penduradas na praça foi arrancada por mim,
a dispersadora será eliminada tão rápido quanto me dispersou e só não vai
lamentar ter me matado antes porque é uma honra morrer pelas mãos do Guerreiro
de Nordateia Kraionte.
vi. A Cura
Rlyeh não acreditou que funcionaria, mas
funcionou.
Fabian andava em pé novamente.
Pegaram um transporte alugado e foram para
a estação 12120-000.
vii. Ainda
Pendurados
Ros e Yuri continuavam pendurados, sendo
nutridos regularmente para sofrerem em toda glória possível. Ros estava quieta
demais e Yuri deprimido.
E o gato, meowwwoem estava na nave, mas o
gato não é apegado à nave.
Além disso, os captores cometeram um erro,
deixaram a Nexo a menos de dois kilômetros do topo do vulcão onde os mestres do
gato estavam pendurados.
O vulcão era profundo, mas suas cratera não
era alta.
O gato anda cerca de dois kilômetros da
suas casa durante a noite. E sente falta dos seus mestres.
viii. Na Estação
12120-000
E enquanto o Guerreiro de Nordateia
Kraionte esperava, ligeiramente ansioso, quem primeiro chegou foi quem ele mais
esperava.
A dispersadora pousou e ele foi de encontro
no hangar onde ela estava.
Não a encontrou em pé e altiva perto de sua
nave provocando os nativos, mas sim sentada, em alguns caixotes de metal,
olhando perdidamente para o chão.
Uma chance.
Não aproveitada.
“Se livrou dele?”, ele perguntou.
Ela olhou para cima, era a única que
viajara na Nexo recentemente na altura dele, mas com o corpo esguio. Ela
levantou e retomou seu ar altivo.
“Como é o seu planeta Guerreiro?”
“O meu planeta...”, tentou lembrar-se, fazia
tempo que não o via, “é grande, o maior do sistema, pequeno para nós, habitado
por feras gigantes e pequenas, letais todas elas, nos pólos é tão frio que
congela os corpos das crianças que lá vão treinar, no centro é quente que
desidrata qualquer criança em menos de dois minutos, os ventos são crueis e
capazes de cortar nossa pele, as montanhas transponíveis apenas para os mais
ousados, os oceanos profundos são revoltos e já afogaram mais dos nossos do que
contamos, nunca vi tantos raios como na região onde eu morava, todos conhecemos
alguém que foi eletrocutado, é uma grande honra que nos dá Nordoteia Kraionte
nos treinando tão duramente.”
“Tem planeta melhor do que o seu?”
“Não. Nós lutamos por Nordoteia Kraionte e
lá poderemos morrer se sobreviver a um número certo de batalhar, se matarmos um
número certo de seres em guerra com nós, a recompensa é essa, deite no solo de
Nordoteia Kraionte e seja em paz engolido.”
“Eles pediram para esperar aqui, querem
verificar a forma de vida que trago, não o aceitam como meu prisioneiro ou
escravo.”
“Deveria ter matado.”
“Sim”, ela respondeu, “mas ele me disse
coisas sobre meu planeta, talvez tenha mais o que dizer.”
“Não sabia que tinha um planeta que servia
de lar aos seus.”
“Não tem, somos as criaturas mais miseráveis
desse universo, não guardamos economias, somos ratos espaciais.”
“Todos vieram de um planeta.”
“Inóspito.”
“Como?”
“Carcaça da estrela solitária, imagine o
grande vazio e você flutuando, uma estrela solitário e uma carcaça rodando em
volta, condenada.”
“Onde fica o seu planeta?”
“Fomos tão longe que saímos de onde
estavámos, nenhum máquina desse universo chega tão longe, apenas nossas naves
construídas muito atrás, apenas um dispersador pode operar.”
“Mas você pode me levar lá.”
“Pela minha vida? Você não é capaz de me
matar, mas é capaz de formular uma estratégia capaz de nos neutralizar.”
“De fato, para isso vivo.”
“Para a morte de outras criaturas. Nós
também.”
“Um dia teremos máquinas que poderão
alcançar o seu planeta.”
“Até lá não encontrarão nada.”
“O que teme então?”
“Minha morte. Não poder mais circular por
esse universo. Nós dois buscamos planetas inalcancáveis, o seu mais, é mais
fácil voltar no tempo do que as guerras serem interrompidas.”
“Quero Drogu.”
“Por quê?”
“Ele te alertou e por isso não te matei.”
“Sim, mas agora que sei que não poderia dar
fim à sua matéria em qualquer planeta, talvez não.”
“Nordateia Kraionte deve ser orgulho do seu
guerreiro mais esperto.”
“Os livros são subestimados.”
“Pegarei o medroso.”
Quando Fabian e Rlyeh chegaram, encontraram
com o Guerreiro de Nordateia Kraionte seguido por um Drogu curvado correndo
atrás dele.
“Como chegou aqui?”, perguntou o mágico.
“Pendurado do lado de fora de uma nave que
me deu carona.”
“Que coincidência, estive pendurado também,
peguei a síndrome de ponta-cabeça.”
“Fique longe de mim”, os guerreiros de
Nordateia Kraionte acreditavam que todas as doenças eram contagiosas.
“Foi divertido vê-lo pendurado, ele gritava
igual uma galinha”, disse Rlyeh.
“O que é uma galinha?”, perguntou o
guerreiro.
“É um animal que tomou o caminho contrário
na evolução dos animais do seu planeta.”
“Sim...”, a resposta foi soturna.
“E esse, por que está com você?”, perguntou
Rlyeh.
“Ganhei de presente, não é mais um prisioneiro
ou escravo, mas se sair da minha vista eu vou rastrar e matar”, foi a resposta
do guerreiro.
Doença que
passa, outros ficarão de ponta cabeça.
iii. Genocídio
Programado
A fracassada operação de Calasa e Drogu
para lidar com a trabalhadora federada que abandonou o posto de trabalho chamou
a atenção de uma série de corporações e governos para outro problema que pouco
se conhecia.
Os dispersadores era uma espécie pouco
conhecida e que em muitos locais eram tratados como lenda, mesmo os que tiveram
contato com um deles não conseguiram rastrear um local de origem ou de base
desses seres, suas naves ignoravam os corredores e viajavam livremente e
instantaneamente pelo universo, sendo impossível rastreá-las.
Alguém, numa reunião secreta, deu a ideia
deles terem vindo de outro universo, ninguém levou a sério.
Deveria haver um canto em comum onde
frequentavam, deveria existir um meio deles se comunicarem entre eles.
A ideia adotada é que eles deveria ser
interceptados, coisa obviamente impossível de ser feita deixando eles com vida,
já que poderiam fugir instantaneamente de qualquer cativeiro.
Alguém em outra reunião secreta perguntou
se aquilo não caracterizava genocídio.
Decidiram que não, uma limpeza talvez, eram
perigosos demais, bandidos terroristas a trabalhar livremente e sem qualquer
organização, alheios às regras, efetivos mercenários que poderiam, contudo, ser
usados contra governos e organizações a qualquer momento, bastava um grupo de
trabalhadores se unir, talvez rebeldes, uma pilha de moedas pode formas uma
fortuna, os dispersadores podem ter seus caprichos, não eram um handcap bem
visto, deveriam ser eliminados, já que prendê-los era impossível, culpa da
natureza dos próprios, todos concordaram com isso em mais de uma reunião secreta.
O comando estava dado, só restava executar.
O Guerreiro de Nordateia Kraiont
O
problema de quando buscamos resolver um problema, é quando o problema vem até
nós, nos encontrando despreparados e tornando-se assim um problema ainda maior
e nós, sem meios imediatos de resolver.
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