Sidequest (O Destino da Flor)

Uma flor da montanha voltou no tempo.
A outra ficou naquele tempo, pega em flagrante e foi presa com um pedido de desculpas do guarda.
Quantas flores haveria de existir em suas escolhas e quantas havariam de estarem presas?
Ela teve tempo de refletir sobre essa e muitas outras questões no tempo em que ficou presa naquela mundo distópico.
Não foi maltratada e nem colocada com outros presos, mesmo porque não havia outros presos.
Apenas ossos.
Baratas.
Morcegos.
Essas coisas.
A flor da montanha nunca havia ficado tanto tempo em local fechado, escuro e tão impróprio para flores.
Suas cores, contudo, não mudaram e suas feições não murcharam.
Depois de longo tempo foi visitada pelo prefeito da vila.
Homem magro, alto, soturno, vestido numa casaca negra e de olhos voltados para baixo, não em submissão, mas em meditação de planos por todos os outros ignorados.
"Vejamos", ele disse, com voz grave e ameaçadora, "está presa, uma flor, que claramente sabe lutar, podemos interceder por você, mas terá que oferecer algo em troca, compreende?"
"Muitos crimes cometeu, pois muitos jarros quebrou, pois bem, muitos favores poderá fazer para sua reputação recuperar, entendido?"
"Pode começar destruindo dez das gosmas ameaçadoras que rondam nossa vila, só para que eu verifique se é boa ideia, se não voltares não acordará mais um dia de sossego pois meus cães a perseguirão por toda terra, captou?"
Não que tivesse opção, mas a flor aceitou a proposta e aceitaria de qualquer forma, saiu da prisão e teve seus equipamentos restituídos, teria barba se fosse homem, contudo, um tempo na prisão endurece qualquer um e a flor da montanha estava pelo menos o dobro mais poderosa.
Aliás, se os cães da prefeitura eram tão temíveis, porque não era eles mandados para lidarem com ameaças?
Pergunta vazia, poderiam estar ocupados, ou não saberem lidar com essas coisas, ou era só uma expressão do prefeito.
Foi a Flor Libertada da Montanha lidar com essas gosmas, que se em termos de combate não representariam desafio nem em seus dias de novata das forças de segurança do mundo, agora era como chutar uma pequena pedra, por outro lado nem todas foram fáceis de encontrar.
As primeiras estavam óbvias, como que pedindo para serem cortadas, pulavam na direção da heróina como que magnéticas e a outra uma coluna de metal.
As próximas estavam um poucos menos óbvias, perto das pedras nas margens do rio, no meio de algumas moitas de frutinhas, misturadas com as galinhas dentro do cercado.
Mas as duas últimas, havia maldade em seus esconderijos, uma dentro de uma caverna com um urso que foi evitado com passos leves, nem tanto nas redondezas.
A última dentro da casa do padeiro, não haviam dito que as redondezas poderia incluir um local interno dentro da vila, se o cachorro vira-lata da vila não tivesse dado a dica, talvez ela fosse perseguida pelos tais cães, literais ou simbólicos, pois pra prisão não voltaria.
O cachorro vira-lata disse: "o padeiro está tendo problemas, aproveitei para roubar uns pães, você devia fazer o mesmo.'
A Flor Criminosa da montanha estava evitando esse tipo de atitude e nem gostava de pão, o conselho canino foi ignorado por horas, até ela pensar que talvez as palavras do cão trouxesse algo, foi o único a falar com ela e o problema do padeiro, na pior das hipóteses poderia ajudar e ganhar a confiança de alguém naquele lugar.
Entrando sem bater na padaria, pois era um estabelecimento comercial, portanto limiar do espaço público dentro do espaço privado, esperou na fila como se fosse comprar pão, mas flor não come pão.
Quando chegou sua vez, ao invés de pedir pão ela pediu informação, coisa que o padeiro não estava acostumado, pois não era taberneiro.
Disse que estava fazendo trabalho comunitário em pagamento do seu crime de quebrar vasos, passara em outros pontos e precisava saber, sob ordem do próprio prefeito, se algo estranho estaria ocorrendo naquela residência ultimamente.
O padeiro fez expressão de medo, arregalou os olhos, soltou um lamento e disse algumas coisas, de sujeira e som, atrapalhando trabalho e sono, mas não encontrara gosmenta assombração que atormentava sua rotina.

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